15
set

O império das imagens

Estaria para nós designers – no gerenciamento visual dos produtos nascidos de nossas criações – o desafio de abranger outros recursos além da imagem, que configurem a relação do homem com o produto?

O filófogo grego Platão acreditava, há quase 2500 anos, que o mundo que conhecemos não é o verdadeiro. Para ele existiam dois mundos: o primeiro é aquele que percebemos ao nosso redor e o outro é o mundo das idéias, da luz onde tudo é perfeito e imutável. Não podemos tocá-lo. Só o pensamento pode nos levar até lá.

Para Platão vivemos dentro de uma caverna, acorrentados e vemos as coisas como se fossem reais. Mas não passam de sombras, ilusão. A realidade está fora da caverna. É preciso desconfiarmos do que vemos e ouvimos. Devemos nos guiar pela razão. Para atingirmos a verdade e o bem, precisamos nos libertar da sedução dos sentidos. Platão desconfiava da arte pois, segundo ele, ela seduz nossos sentidos e nos devia da busca pela verdade.

O escritor português José Saramago disse em uma entrevista que nunca vivemos tanto na caverna de Platão como hoje. Segundo ele, vivemos em um mundo audiovisual, repetindo a situação das pessoas aprisionadas na caverna de Platão, vendo sombras como se fossem realidade. Essa multiplicação das imagens nos deixará perdidos de nós próprios e perdidos da nossa relação com o mundo.

O cineasta alemão Wim Wenders afirma que a maioria das imagens que vemos não tentam nos dizer algo e sim nos vender algo. Por isso, temos muito de muitas coisas hoje em dia. E o que menos temos é tempo. Segundo ele, ter muito de todas as coisas significa não ter nada. O excesso de imagens mostra que somos incapazes de prestar atenção e sermos tocados por elas. E que as imagens devem ser extraordinárias para nos tocar porque as simples não queremos mais vê-las.

Imagens, imagens, imagens…. elas nunca estiveram tão presentes em nossas vidas. Todos estamos criando e replicando imagens com um objetivo principal: atingir e capturar a atenção do outro.

E nós designers, como ficamos diante desta situação?
Temos em mãos um extenso arquivo audiovisual para utilizarmos e designarmos nossas criações. Em contra partida deparamo-nos com uma restrita chance de surpreender o outro já tão imerso, desgastado e capturado por tantas outras imagens.

Estaria para nós designers – no gerenciamento visual dos produtos nascidos de nossas criações – o desafio de abranger outros recursos além da imagem, que configurem a relação do homem com o produto?

 

MVMA – Apresentações Digitais
São Paulo